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Muito antes de existirem notas fiscais, contratos ou catálogos de produtos, já existia alguém disposto a atravessar distâncias para colocar uma mercadoria na mão de quem precisava dela. O comércio é, para muitos historiadores, uma das atividades mais antigas da humanidade, com registros que remontam a cerca de 3.000 a.C., quando fenícios, sumérios e egípcios já trocavam alimentos, tecidos, metais e especiarias por rotas terrestres e marítimas, dando origem às primeiras feiras e mercados.
Os fenícios, em especial, entraram para a história como os grandes “globalizadores” da Antiguidade. Durante mais de mil anos, sua rede comercial conectou povos da Inglaterra à Grécia, levando de porto em porto produtos como vinho, tecidos tingidos de púrpura, jóias e ferramentas. Mais do que vender, os fenícios apresentavam povos uns aos outros: foi assim que o papiro egípcio chegou à Grécia, e o vinho grego, ao Egito: um movimento tão intenso de troca que a própria palavra “Bíblia” nasceu do comércio de papiro na cidade fenícia de Biblos.
Esse impulso de conectar quem produz a quem consome atravessou séculos. Na Idade Média, os mascates itinerantes, comerciantes que percorriam vilas carregando suas mercadorias em pacotes ou animais de carga, mantinham vivo o comércio em regiões onde a loja fixa ainda era uma raridade. Aos poucos, alguns se estabeleceram em lojas e armazéns, enquanto outros seguiram viajando, ampliando redes e apresentando novidades a novos mercados.
É nessa mesma linhagem, a de quem aproxima produto e cliente, que está o representante comercial de hoje. Se antes eram os fenícios em seus navios ou os mascates em suas estradas, agora é o representante comercial quem viaja, apresenta, negocia e leva as propostas das indústrias até os comerciantes, sejam eles pequenas lojas de bairro ou grandes redes. A ferramenta mudou, hoje são carteiras de clientes, contratos regidos pela Lei nº 4.886/65 e, cada vez mais, tecnologia e dados, mas a essência da profissão, a de intermediar negócios com agilidade e confiança, permanece a mesma há milênios.
O Dia do Comerciante, celebrado em 16 de julho, é uma boa oportunidade para lembrar dessa ligação. A data homenageia o nascimento de José Maria da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu, Patrono do Comércio Brasileiro, responsável por convencer D. João VI a assinar a Carta Régia de 1808, que abriu os portos brasileiros ao comércio internacional. Foi esse gesto que permitiu ao Brasil deixar de depender exclusivamente de Portugal e começar a construir sua própria rede comercial, a mesma rede que, mais de um século depois, tornaria necessária a profissionalização da representação comercial, regulamentada pela Lei nº 4.886/65 e fiscalizada, em São Paulo, pelo Core-SP.
Comerciante e representante comercial são, portanto, personagens da mesma história: um recebe o produto e o coloca à disposição do consumidor; o outro garante que esse produto chegue até ele, com a informação certa, na hora certa. Celebrar o comerciante é também celebrar essa cadeia inteira, da rota fenícia ao pedido fechado hoje por um representante em qualquer cidade paulista.
Neste 16 de julho, o Core-SP se une à homenagem a todos os comerciantes de São Paulo e do Brasil, reconhecendo neles parceiros de uma jornada que a representação comercial ajuda a escrever todos os dias.